Hilda Zimmermann
Fundadora da Agapan, da Ação Democrática Feminina Gaúcha (ADFG) e da Associação Nacional de Apoio ao Índio, Hilda Zimmerman tem no seu currículo uma infinidade de campanhas pela natureza. Destacam-se a defesa dos índios, a Operação Hermenegildo e a luta contra os agrotóxicos. Esta última, ocorrida na década de 70, deflagrou-se a partir das denúncias de Lutzenberger.
À época, Lutz trabalhava na Bayer e testemunhou plantações contaminadas em todas as partes do mundo. O resultado da campanha foi a Lei dos Agrotóxicos, aprovada pela Assembléia Legislativa proibindo a utilização dos produtos mais perigosos. Hilda Zimmerman também participou de diversas atividades de educação ambiental. Principalmente da defesa de árvores e parques, como o Parcão de Porto Alegre.

Com quatro décadas de atividades em prol do meio ambiente, Hilda relembra outro episódio que mostra seu perfil de lutadora e amante da natureza: “Certa vez, com a ADFG, fomos ver as pedreiras de Itapuã, que na época eram exploradas por um ministro. Quando chegamos, junto com a imprensa, os homens estavam martelando. Eu, então, botei a mão na cintura e disse: ‘Parem de martelar!’ O homem ficou estático… saiu na primeira página do jornal uma foto, em que o homem está com cara de apavorado e eu com a mão na cintura: ‘Quando os ecologistas botam a mão na cintura, pára tudo’.
Fonte: http://roessler.org.br/

Giselda Castro
A morte de Giselda Escosteguy Castro aos 89 anos no verão mais quentede Porto Alegre nos últimos 50 anos anuncia a partida da mais brava das militantes gaúchas que, oriundas de um movimento político conservador criado em março de 1964, adotaram bandeiras do feminismo e por fim se tornaram as vozes mais ativas do movimento ambientalista, ao lado de Augusto Carneiro e José Lutzenberger (1926-2002), fundadores da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), criada em 1971.
“O Lutzenberger usou essas militantes como escudo para ganhar espaço na imprensa e na sociedade – ele era um estranho no ninho”, diz o jornalista Elmar Bones, que editou em 2002 o livro Pioneiros da Ecologia – Pequena História do Movimento Ambiental no Rio Grande do Sul.

Claro que havia a recíproca: as mulheres se aproveitaram da garra e da lucidez de Lutz para ampliar o alcance de suas lutas, originalmente restritas a causas como oaleitamento materno, o uso da pílula anticoncepcional, a luta contra o machismo e a favor dos direitos civis em geral.
Por serem mais ou menos ricas, Giselda e suas mais constantes companheiras Magda Renner e Hilda Zimmermann chegaram a ser tratadas como “as madames das Três Figueiras”, bairro da elite econômica de Porto Alegre. Mas sua dedicação a causas comunitárias extrapolou as fronteiras da alienação característica dos anos do “milagre econômico” (1968/1973). Sua militância adquiriu conotação de contestação às práticas do capitalismo dito selvagem, já que a maioria dos empresários no Brasil e no mundo se comprazia na patrolagem do meio ambiente, não respeitando encostas, banhados, mangues nem áreas de marinha no litoral e em cursos d’água.
Num momento em que poucas mulheres mais jovens se engajaram na luta armada contra a ditadura, elas usaram as palavras como armas. E segundo diversos depoimentos Giselda era a mais indignada, aquela que encabeçava as iniciativas, numa mistura impressionante de destemor, discernimento e pragmatismo. “Antes burgueses conscientes do que uma elite irresponsável ou uma classe média indiferente à cidadania”, diz Celso Marques, ex-presidente da AGAPAN. Para ele, Giselda, Magda e Hilda foram “exemplos de cidadania”.
Fã de Giselda Castro e suas companheiras de ativismo civil, Marques lembra-se de ter participado de uma caravana de ambientalistas que foi a um evento internacional em Washington em 2001, na época dos primeiros confrontos entre o Fórum Econômico de Davos e o Fórum Social Mundial de Porto Alegre. As intervenções brasileiras foram marcantes. Enquanto Giselda Castro exigiu que o Banco Mundial deixasse de emprestar dinheiro a governos e empresários predadores do meio ambiente, o cacique indígena matogrossense Ailton Krenak apelou para uma rica metáfora: segundo ele, os brancos são navegadores que se esforçam para furar o fundo da própria embarcação em que navegam – a Terra.
Fonte: http://www.sul21.com.br

Magda Renner
Uma das vozes mais respeitadas no Rio Grande do Sul quando o assunto é meio ambiente, Magda Renner começou a atuar na preservação ambiental antes mesmo que a palavra ecologia tivesse se tornado de domínio popular. Isso aconteceu a partir do início de seu trabalho na ONG Ação Democrática Feminina Gaúcha (Adfg), na qual ingressou na década de 60.
Em 1972, após assistir a uma palestra do ecologista José Lutzenberger, fundador da Agapan (Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural), a nora de A. J. Renner - um dos maiores nomes da indústria gaúcha - iniciou efetivamente sua militância pela causa ambiental.

Sua atuação contabiliza episódios como a luta contra a maré vermelha que atingiu o litoral gaúcho na década de 70, e contra os aterros de lixo nas ilhas do rio Guaíba.
Nos anos 80, engrossou passeatas que alertavam sobre os problemas decorrentes da instalação do pólo petroquímico de Triunfo, o que acabou contribuindo para que o grupo de empresas seja hoje modelo de responsabilidade ambiental. Também foi decisiva sua atuação no lobby ecológico durante a elaboração da Constituição de 1988.
Fonte: http://antesqueanaturezamorra.blogspot.com.br

Vencedores do Prêmio