Mostardas no I Encontro Estadual de Escritores Negros

Quilombolas de Mostardas fazendo história
Na manhã do último dia 10 de outubro, o Grupo Teatral Quicumbi da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Teixeiras, apresentou-se durante I Encontro Estadual de Escritores Negros. A encenação é fruto do Projeto Educação de Todas as Cores da Escola Municipal de Ensino Fundamental 11 de Abril. “Todos estão de parabéns pela bela contribuição ao fortalecimento da cultura afro-gaúcha e sobretudo, por estimularem a cidadania nos jovens através de maravilhosas trocas geracionais! Orgulho do meu povo!” destacou Jorge Amaro, um dos escritores presentes no evento, morador de Viamão e natural de Mostardas. Ele é autor do livro “Sustentabilidade & Acessibilidade”.

A realização do evento é da ONG Grupo Multiétnico de Empreendedores Sociais, Centro Universitário La Salle e SESC-RS. Pela primeira vez na história contemporânea da literatura gaúcha, acontece um encontro de escritores negros gaúchos. O Unilasalle apoia o evento por meio do Unilasalle Cultural e o PPG em Memória Social e Bens Culturais. A realização do evento é da ONG Grupo Multiétnico de Empreendedores Sociais, Centro Universitário La Salle e SESC-RS. O evento conta com outras entidades apoiadoras e tem também plenárias regionais de apresentação e atrações artísticas, nas cidades de Pelotas e Caxias do Sul.
A primeira plenária reuniu 150 convidados no Clube Cultural Fica Ahi, em Pelotas, no dia 12 de setembro. Em Caxias do Sul, 50 convidados participaram da plenária regional, promovida na Câmara Municipal de Vereadores. No encontro, foram apresentados os objetivos do evento. Também foram realizadas, nas plenárias regionais, apresentações artísticas e momentos de debate, os quais trataram do combate ao racismo e a viabilidade para a produção literária de autores negros.
Entre as propostas, destacou o coordenador do evento, jornalista e escritor Oscar Henrique Cardoso, está a construção de um coletivo de escritores negros e também de autores que escrevem e produzem temas ligados a cultura e a história afro-brasileira, criação do Prêmio Oliveira Silveira de Literatura Afro-Gaúcha e a criação de um programa de governo que estimule e também leve os escritores negros a ter suas publicações e seus trabalhos divulgados nas escolas e em eventos literários pelo Estado.

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Notícia 02

Especialização em Audiodescrição da UFJF – servidor da FADERS faz parte da primeira turma de especialistas do Brasil

Está chegando ao fim o curso de Especialização em Audiodescrição promovido pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) em parceria com a então Secretaria de Direitos Humanos. Em iniciativa inédita, foi possível viabilizar o primeiro curso sobre esta temática a nível de especialização no Brasil, com o principal objetivo de capacitar profissionais para promover a acessibilidade de pessoas com deficiência visual emapresentações culturais, com a descrição falada de imagens.

Com mais de 70% dos alunos concluintes, produzindo trabalhos de alta qualidade, o balanço do curso é altamente positivo e a segunda turma do curso visa atender a grande de procura por nova turma em todo Brasil. Formados, este alunos assumem o compromisso de levar para seus estados o recurso, que proporciona uma inclusão plena da pessoa com deficiência ao possibilitar seu acesso à cultura de forma ampla.

Segundo a coordenadora pedagógica do curso, Lívia Motta, o curso tem ainda contribuído para o avanço dadivulgação da audiodescrição nas diferentes regiões. “Os alunos já estão começando a trabalhar com o recurso dentro de cada contexto específico, temos alunos que trabalham em escolas ou mesmo com professores difundindo a importância da audiodescrição como um recurso pedagógico para ampliação das oportunidades de conhecimento de mundo para as pessoas com deficiência visual.”

De acordo com Eliana Lucia Ferreira, coordenadora do curso, a audiodescrição é mais uma possibilidade de acessibilidade para pessoas com deficiência visual, por isso é muito importante capacitar profissionais que atendam a essa necessidade, sendo uma nova demanda de mercado de trabalho. “A Universidade Federal de Juiz de Fora não mediu esforços para promover o primeiro curso de audiodescrição e não podemos deixar de agradecer à Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, na pessoa do secretário Antônio José, que teve a sensibilidade de entender como esse recurso é um diferencial na vida de muitas pessoas. Só temos que enaltecer essa atitude e elogiar o trabalho da secretaria, principalmente na decisão de reofertar o curso, que teve um índice de procura bastante significativo, o que demonstra o interesse e a valorização dasociedade pelo tema”, finaliza.

Jorge Amaro, professor de cursos livres da FADERS apresentou seu trabalho de conclusão intitulado “Audiodescrição e Educação Ambiental” e teve como arguidores Laércio Sant’anna, Livia Motta e Paulo Romeu, que destacaram o ineditismo da proposta.

Para ele “A escrita foi uma tentativa de estabelecer a relação entre educação ambiental, direitos humanos eaudiodescrição no espectro das políticas públicas, a luz dos novos conceitos de deficiência e instigar metodologias que ampliem os processos de internalização destes conceitos em programas governamentais de âmbito nacional. Foram valiosas as contribuições críticas as quais qualificarão mais ainda o trabalho! Minha função na disseminação da audiodescrição seguirá firme. Tenho orgulho de ter implementado o recurso como prática no CONADE, assim como produzido alguns materiais na SDH (Livro do Viver sem Limite; Livro do Sistema Nacional de Indicadores em Direitos Humanos - Trabalho; Livro dos 15 anos do CONADE – concluído aguardando publicação). Também produzi uma História em Quadrinhos daCASOTECA/ENAP e organizamos, junto com a Assessoria de Comunicação da FADERS, um debate na semana estadual da pessoa com deficiência sobre acessibilidade na comunicação. A audiodescrição, passa assim, ser mais um elemento a contribuir com a visibilidade dos direitos humanos da pessoa com deficiência, principalmente por dialogar com os mais variados espaços, como educação, saúde, cultura, turismo e como propomos aqui, com as questões ambientais. É assim, mais que um termo ou uma atividade técnica, passando a ser também um importante instrumento político.’’

Saiba mais:

A audiodescrição é um recurso de acessibilidade que amplia o entendimento das pessoas com deficiência visual em eventos culturais, gravados ou ao vivo, como: peças de teatro, programas de TV, exposições, mostras, musicais, óperas, desfiles e espetáculos de dança; eventos turísticos, esportivos, pedagógicos e científicos tais como aulas, seminários, congressos, palestras, feiras e outros, por meio de informação sonora.
O Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei Brasileira da Inclusão) trouxe dentre seus 127 artigos, dois relacionados a audiodescrição. O primeiro deles, que trata sobre os serviços de radiodifusão de sons e imagens, é apontada que os mesmos devem permitir o uso dos seguintes recursos, entre outros, a subtitulação por meio de legenda oculta, janela com intérprete da LIBRAS e audiodescrição (Art. 67). O outro, dispõe da promoção da capacitação da capacitação de tradutores e intérpretes da Libras, de guias intérpretes e de profissionais habilitados em Braille, audiodescrição, estenotipia e legendagem, que deverá ser realizada pelo poder público, diretamente ou em parceria com organizações da sociedade civil (Art. 73). Ambos estão no capítulo que trata do acesso a informação e a comunicação.

Informações: ASCOM/UFJF

Conforme Marcus Vinicius Furtado Coelho, presidente do Conselho Federal da OAB, que prefacia a obra, “as reflexões apresentadas guardam um ineditismo surpreendente, sendo portadoras de um pensamento social avançado, pertencente à vanguarda das reflexões sobre sustentabilidade, educação ambiental, acessibilidade e direitos humanos. Uma leitura indispensável não só a profissionais e estudantes, mas também para qualquer pessoa que se interesse pelos temas magistralmente abordados. Um prato cheio para quem acredita no direito de igualdade e na sua construção e reconstrução diárias.”

A obra está à disposição no site da Editora da OAB e do autor:
www.jorgeamaro.com.br
http://www.oab.org.br/editora/

Lançamentos podem ser agendados com o autor:
(51) 96128261 /jorgeamaroborges@gmail.com
As pessoas com deficiência visual terão acesso a um CD com conteúdo em formato acessível (txt, doc e descrição das imagens, tabelas e gráficos)!

Sobre o autor!

Jorge Amaro de Souza Borges é natural de Mostardas (RS) e tem título de cidadão de Viamão (RS). É técnico agrícola (ETA), biólogo (IPA), especialista em educação ambiental (SENAC) e mestre em educação (PUCRS).
Milita nos movimentos ambientalista, pela inclusão das pessoas com deficiência e movimento negro. Considera-se um ativista pelos direitos humanos e pela sustentabilidade.

Atuou como Assessor Técnico do Departamento de Meio Ambiente em Viamão (1999); Diretor do Departamento de Limpeza Urbana de Viamão (2001); Instrutor de pessoas com deficiência intelectual na FADERS (2002-2004);Coordenador administrativo do processo do Plano Diretor Participativo de Viamão (2006);Sócio-Fundador do Grupo Maricá (2004); Coordenador do Projeto de Gerenciamento Integrado de Resíduos Sólidos Urbanos, Meio Ambiente e Resgate Cultural em Mostardas RS (2004/2005); Coordenador do Mini-curso de formação de agentes ambientais em Mostardas (2005); Membro e Articulador do Conselho Consultivo do Parque Nacional da Lagoa-do-Peixe (2005/2006); Articulador da Conferência Nacional do Meio Ambiente RS (2005);

Membro da Comissão Organizadora da II Conferência Infanto - Juvenil do Meio Ambiente RS (2005); Coordenador do Projeto Sala Verde desenvolvido no Centro Abrigado Zona Norte Porto Alegre RS (2004); Coordenador do Projeto de Pesquisa de Mapeamento das Ações de Educação Ambiental no município de Viamão, com vistas a formação da Rede Municipal de EA (2005/2006); Chefe de Gabinete da FADERS (2011-2012); Chefe da delegação do RS na III Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (2012); Vice-presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência (2011-2013) e Coordenador Geral do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (2013-2015)!
É articulista de diversos jornais e tem um site sobre as temáticas que atua! Participa das redes de educação ambiental, com destaque para a REBEA, REASul e REAGI.
Recebeu os prêmios Responsabilidade Ambiental RS (2008 e 2009), Expressão em Ecologia (2012) e Pioneiras da Ecologia (2013)