Especialização em Audiodescrição da UFJF – servidor da FADERS faz parte da primeira turma de especialistas do Brasil

Está chegando ao fim o curso de Especialização em Audiodescrição promovido pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) em parceria com a então Secretaria de Direitos Humanos. Em iniciativa inédita, foi possível viabilizar o primeiro curso sobre esta temática a nível de especialização no Brasil, com o principal objetivo de capacitar profissionais para promover a acessibilidade de pessoas com deficiência visual emapresentações culturais, com a descrição falada de imagens.
Com mais de 70% dos alunos concluintes, produzindo trabalhos de alta qualidade, o balanço do curso é altamente positivo e a segunda turma do curso visa atender a grande de procura por nova turma em todo Brasil.

Formados, este alunos assumem o compromisso de levar para seus estados o recurso, que proporciona uma inclusão plena da pessoa com deficiência ao possibilitar seu acesso à cultura de forma ampla.
Segundo a coordenadora pedagógica do curso, Lívia Motta, o curso tem ainda contribuído para o avanço dadivulgação da audiodescrição nas diferentes regiões. “Os alunos já estão começando a trabalhar com o recurso dentro de cada contexto específico, temos alunos que trabalham em escolas ou mesmo com professores difundindo a importância da audiodescrição como um recurso pedagógico para ampliação das oportunidades de conhecimento de mundo para as pessoas com deficiência visual.”
De acordo com Eliana Lucia Ferreira, coordenadora do curso, a audiodescrição é mais uma possibilidade de acessibilidade para pessoas com deficiência visual, por isso é muito importante capacitar profissionais que atendam a essa necessidade, sendo uma nova demanda de mercado de trabalho. “A Universidade Federal de Juiz de Fora não mediu esforços para promover o primeiro curso de audiodescrição e não podemos deixar de agradecer à Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, na pessoa do secretário Antônio José, que teve a sensibilidade de entender como esse recurso é um diferencial na vida de muitas pessoas. Só temos que enaltecer essa atitude e elogiar o trabalho da secretaria, principalmente na decisão de reofertar o curso, que teve um índice de procura bastante significativo, o que demonstra o interesse e a valorização dasociedade pelo tema”, finaliza.
Jorge Amaro, professor de cursos livres da FADERS apresentou seu trabalho de conclusão intitulado “Audiodescrição e Educação Ambiental” e teve como arguidores Laércio Sant’anna, Livia Motta e Paulo Romeu, que destacaram o ineditismo da proposta.
Para ele “A escrita foi uma tentativa de estabelecer a relação entre educação ambiental, direitos humanos eaudiodescrição no espectro das políticas públicas, a luz dos novos conceitos de deficiência e instigar metodologias que ampliem os processos de internalização destes conceitos em programas governamentais de âmbito nacional. Foram valiosas as contribuições críticas as quais qualificarão mais ainda o trabalho! Minha função na disseminação da audiodescrição seguirá firme. Tenho orgulho de ter implementado o recurso como prática no CONADE, assim como produzido alguns materiais na SDH (Livro do Viver sem Limite; Livro do Sistema Nacional de Indicadores em Direitos Humanos - Trabalho; Livro dos 15 anos do CONADE – concluído aguardando publicação). Também produzi uma História em Quadrinhos daCASOTECA/ENAP e organizamos, junto com a Assessoria de Comunicação da FADERS, um debate na semana estadual da pessoa com deficiência sobre acessibilidade na comunicação. A audiodescrição, passa assim, ser mais um elemento a contribuir com a visibilidade dos direitos humanos da pessoa com deficiência, principalmente por dialogar com os mais variados espaços, como educação, saúde, cultura, turismo e como propomos aqui, com as questões ambientais. É assim, mais que um termo ou uma atividade técnica, passando a ser também um importante instrumento político.’’

Saiba mais:
A audiodescrição é um recurso de acessibilidade que amplia o entendimento das pessoas com deficiência visual em eventos culturais, gravados ou ao vivo, como: peças de teatro, programas de TV, exposições, mostras, musicais, óperas, desfiles e espetáculos de dança; eventos turísticos, esportivos, pedagógicos e científicos tais como aulas, seminários, congressos, palestras, feiras e outros, por meio de informação sonora.
O Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei Brasileira da Inclusão) trouxe dentre seus 127 artigos, dois relacionados a audiodescrição. O primeiro deles, que trata sobre os serviços de radiodifusão de sons e imagens, é apontada que os mesmos devem permitir o uso dos seguintes recursos, entre outros, a subtitulação por meio de legenda oculta, janela com intérprete da LIBRAS e audiodescrição (Art. 67). O outro, dispõe da promoção da capacitação da capacitação de tradutores e intérpretes da Libras, de guias intérpretes e de profissionais habilitados em Braille, audiodescrição, estenotipia e legendagem, que deverá ser realizada pelo poder público, diretamente ou em parceria com organizações da sociedade civil (Art. 73). Ambos estão no capítulo que trata do acesso a informação e a comunicação.
Informações: ASCOM/UFJF